O que é inadimplência?

Inadimplência. A palavra já se tornou popular e é sempre associada a dívidas, geralmente no caso de consumidores que devem a empresas. Mas o que é, realmente, inadimplência? Será que todo devedor é inadimplente? Uma empresa que deve a outra é inadimplente? Neste post, vamos falar sobre o conceito e sobre suas aplicações, especialmente em relação à pessoa jurídica.

Para começar, precisamos destacar que ter uma dívida, ser um devedor, seja como pessoa física ou jurídica, não é ser inadimplente. Usar crédito – e, portanto, ter uma dívida – não é algo ruim. Entre empresas, por exemplo, o aumento da contratação de crédito é visto como um sinal de crescimento, uma vez que é comum contratar financiamentos para fazer investimentos em maquinário, imóveis e outros bens necessários à expansão dos negócios.

Nas relações com bancos, o devedor é aquele que usa cheque especial, pega um empréstimo, usa o cartão de crédito ou faz qualquer outra operação financeira em que ele tenha acesso a um recurso em troca de pagamento de juros e/ou taxas. Afinal, como destaca Marcelo Manzano neste artigo, “no capitalismo não há nenhuma possibilidade de avanço da economia sem que o sistema de crédito antecipe poder de compra a empresas e famílias. Na ausência do crédito, simplesmente não há movimento econômico”.

Dessa forma, estar endividado não significa que sua situação está ruim. A parte ruim começa quando o devedor não cumpre sua parte do acordo e não paga a dívida na data acertada, ou seja, no vencimento. A dívida vencida é uma quebra de contrato (se houver) e de confiança, independente do motivo pelo qual aconteceu.

 

Diferença entre devedor e inadimplente

Contudo, há uma certa flexibilidade no uso da palavra inadimplente. Nos dicionários, o significado jurídico de inadimplência é “Descumprimento de um contrato ou de qualquer obrigação; descumprimento, inadimplemento”. Assim, um crédito (empréstimo, financiamento, venda a prazo, etc) vencido torna o devedor inadimplente logo depois do vencimento. No entanto, para transações financeiras e para efeitos estatísticos, o Banco Central considera “inadimplentes” as dívidas com mais de 90 dias de atraso.

Podemos concluir que, no dia a dia do mercado, é correto usar a palavra inadimplente para um devedor que deixou um pagamento passar do vencimento. Dessa forma, o credor (aquele que cedeu crédito) pode chamar o devedor de inadimplente e deve cobrar o que é seu por direito, porém sem se exceder nem causar conflitos desnecessários (veja aqui 5 dicas para cobrar um cliente inadimplente sem estresse).

Foto: Freepik

 

A importância da prevenção e do combate à inadimplência

Especialistas do Banco Central já apontaram em seus relatórios que a inadimplência é o principal fator de risco à estabilidade financeira. Sem receber seus créditos, uma empresa pode deixar de fazer investimentos ou até mesmo não honrar seus compromissos com fornecedores e funcionários, tornando-se, ela mesma, uma inadimplente.

Esse risco é maior se for uma micro ou pequena empresa, que geralmente tem o caixa mais apertado e menos acesso a crédito bancário. De acordo com o DataSebrae, a proporção de empresas inadimplentes tem oscilado entre 3% e 4,5% nos últimos anos. Mas quando o recorte é só de MPEs, esse percentual já chegou a 8%.

Atentos a isso, nós da Pague Bem Brasil criamos a Pague Bem Recupera, uma ferramenta focada em micro e pequenas empresas que acompanha a cobrança (boleto, promissória, duplicata, etc) desde a hora que ela é emitida até a (provável) quitação, inclusive depois do vencimento. O credor tem total controle dos créditos a receber e pode cobrar seus clientes de forma automatizada, sem intervenção humana.

Educação financeira para micro e pequenas empresas previne a inadimplência

Assim como na nossa vida pessoal, na vida profissional e empresarial, a prevenção à inadimplência é um dos resultados do controle sobre o que se ganha e o que se gasta. No caso da gestão financeira das empresas, isso se torna ainda mais amplo quando pensamos que outras pessoas, como funcionários e fornecedores, são impactados pelo modo como gerenciamos as contas a pagar e a receber. Por isso é importante lembrar que, embora estar endividado não seja algo ruim, o acúmulo de dívidas pode ser um fator de risco para a inadimplência.

São esses motivos que fazem da educação financeira de micro e pequenas empresas uma das bandeiras da Pague Bem Brasil. Quando conseguimos aplicar bem nossos recursos, é mais fácil cumprir compromissos financeiros e investir para crescer. A educação financeira das empresas também é essencial para evitar a inadimplência, seja a sua própria ou a de quem lhe deve. Em breve, falaremos mais sobre como organizar as contas para evitar que os devedores se tornem inadimplentes e para sair da condição de inadimplente.

Em resumo, cuidado com o crédito – seja na hora de dar ou de contratar. Ele é tentador, pois pode garantir a compra (no caso do cliente) ou a venda (para a empresa) em curto prazo. Mas se você não fizer as contas, o crediário pode te levar à inadimplência e ao fundo do poço.

Virei uma empresa inadimplente. Como resolver?

Cuidar de uma empresa é um grande desafio e, nessa jornada, erros podem ser cometidos. Um deles é virar um inadimplente. Em geral, o problema ocorre por falta de planejamento, ausência de reservas financeiras e falhas na gestão do dia a dia (especialmente compras e vendas). Independente do motivo, quem quer sair da condição de devedor pode tomar atitudes para que esse processo seja bem-sucedido. Não tem milagre nem é “do dia para a noite”. Mas não é impossível e, com nossas dicas, pode ser de um jeito mais produtivo.

Antes de listarmos algumas orientações sobre como deixar de ser uma empresa inadimplente, um lembrete: tomar atitudes positivas e proativas diante da situação não é algo que o devedor faz para o credor, é, antes de mais nada, uma autoproteção. Assim como um consumidor, a empresa que não paga suas contas em dia também está sujeita a penalidades como multas, juros, protesto de títulos em cartório, inclusão em ferramentas de proteção ao crédito (pagas ou gratuitas, como é o caso da Pague Bem Protege) e processos judiciais.

Arrume a casa primeiro

Antes de correr para um empréstimo ou mesmo de negociar, o micro e pequeno empresário precisa conhecer suas próprias contas. Em pequenos negócios, a falta de organização muitas vezes aparenta ser “confortável”, mas é uma doença silenciosa, que afeta duramente a empresa não apenas causando os problemas mas também dificultando sua solução.

Dessa forma, é preciso analisar suas despesas, custos e faturamento, atuais e futuros, para saber qual a sua capacidade de pagamento e checar o quanto é possível “bloquear” para a quitação dos débitos vencidos. Para isso, é essencial saber o tamanho da sua dívida: mapeie credores, valores, taxas de juros e multas. Se essa conta mostrar que não há receita o suficiente para pagar, outras atitudes a serem tomadas são reduzir custos, eliminar desperdícios, fazer liquidações e vender bens ociosos.

Foto: Pixabay

Abra o jogo e negocie

Mesmo em uma posição desconfortável, o empresário não pode negar que a dívida está vencida e que entrou em uma situação de inadimplência. O credor sabe e vai tomar as atitudes que lhe cabem por direito. É possível que ele procure sua empresa, seja por meios tradicionais ou por plataformas como a Pague Bem Recupera, seja para cobrar o valor devido e as penalidades cabíveis ou para negociar. Não importa a abordagem, o que o devedor não pode fazer é se esconder: dê retorno, mesmo que não possa pagar naquele momento. Informe que está trabalhando para resolver o problema e dê uma previsão de pagamento.

Quando a dívida estiver além da sua capacidade de pagamento, chame o credor para negociar. A conversa pode ser para tentar reduzir juros e multas ou para parcelar a dívida. Se a negociação não render uma solução, outro cálculo a ser feito é a possibilidade de trocar dívidas “caras”, aquelas com juros mais altos, por dívidas “menos caras”, com taxas de juros menores e que podem solucionar uma tensão entre você e seu credor, especialmente se ele também for uma micro ou pequena empresa. No entanto, essa é uma decisão que deve ser tomada com muito cuidado, pois, uma vez mal feita, só vai aumentar o problema.

Na Pague Bem Brasil, valorizamos a educação financeira para pessoa jurídica e esperamos ter ajudado sua empresa com essas dicas. Criamos conteúdos como esse porque queremos tornar o ambiente de negócios brasileiro mais justo e transparente – veja nosso manifesto e conheça a Pague Bem Protege, nosso serviço on-line e gratuito para análise de crédito de PJ, com banco de dados alimentado pelas próprias pessoas prejudicadas, sem qualquer intermediação.